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[CONTO] A noite em que eu a reencontrei

Foi sentada de frente para um dos picos mais altos e mais lindos que já vi que a reencontrei. Era noite e a montanha não estava só. Tinha a companhia de uma velha amiga prateada, que neste dia resolveu iluminar todo o céu e expulsar todas as estrelas próximas a ela. Estava admirando a beleza plena e imutável da pintura à minha frente e sentindo a brisa passar pelos meus braços quando a abstração do tempo veio. E então ela chegou. A encontrei sorrindo, e meu peito sorriu de volta. Aquela sensação de paz como reencontrar uma velha amiga.

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[CONTO] Simplicidade em Vida

O galo velho ainda berrava rouco denunciando o tímido sol quando acordou e sentou na cama. Os óculos de lentes grossas e redondas pousavam ao lado do abajur que há tempos espera por conserto sobre o criado-mudo desgastado por cupins. Enfiou os pés com as meias relaxadas que um dia tricotou na chinela macia e quente que deixa todas as noites ao lado da cama e tateou o criado-mudo. Colocou os óculos e se levantou, fazendo a madeira velha do assoalho ranger.

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[CONTO] O Monte

Havia uma vila no interior de um pequeno país que não gozava exatamente de um clima ensolarado. Na verdade, os dias naquele lugar eram nublados, sempre com uma particular aparência acinzentada e com uma estranha e frequente umidade no ar, como se tivesse acabado de chover.
Era uma vila minúscula, com casinhas pequenas e humildes, onde moravam famílias sempre vindas de gerações antigas da mesma casa. As suas ruinhas tortas e quase todas feitas de pedras eram como se nelas contivessem algo a mais, registros, em que quase se podia ver outras pessoas, de outras épocas, passando por ali. Continuar lendo “[CONTO] O Monte”

[CONTO] As Luzes das Janelas

Ele era muito solitário, um homem ocupado, vida corrida, não tinha tempo para as pessoas afinal de contas. Funcionário público, desquitado, nenhum filho. É em um pequeno apartamento alugado de um prédio de classe média que mora hoje, amargando todos os dias que aquele bairro já fora mais tranqüilo. Ele era até mais cuidadoso com as suas coisas, mas depois de alguns anos morando sozinho decidira consigo que não valia a pena gastar tanto tempo arrumando a casa. Os móveis hoje acumulam uma tênue linha de poeira, e as louças na pia da cozinha não são lavadas há uma semana.

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[CONTO] O Anjo de Vidro

Fazia uma manhã chuvosa naquela véspera de Natal e Ágata já andava por todas as ruas do centro da cidade procurando por presentes. Ela já havia comprado os seus para presentear as pessoas mais próximas por quem tem deveras consideração, mas estava à procura de outros, talvez um pouco mais em conta devido à quantidade. Sempre teve a vontade de fazer um pequeno amigo oculto com os irmãos, especialmente após a perda da mãe. Já não tinham os pais há muito tempo e cada um se fechara com as famílias que construíram. Desde que a mãe se fora, aquela era uma data fria e triste.

E neste Natal, após propor a brincadeira semanas antes, todos os irmãos pareceram dispostos a participar. Porém, no dia anterior, ela ligou para confirmar se estava tudo certo e quem poderia ajudá-la com a ceia, mas ouviu do outro lado da linha cada um com suas desculpas de porque não poderiam colaborar e se ela não achava melhor deixar esse amigo oculto para lá.

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