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Amor mar

Uma vez me falaram que queriam um amor leve. Quem não quer um amor leve? Aquele amor que traz paz para o seu mundo, que te faz sorrir com coisas bobas.
Mas percebi que ele não se referia a isso. E sim a um amor que entraria só no raso.

Um amor leve que não precisasse carregar a carga do gostar sem precedentes. Daquele acréscimo de peso diário de não saber como gosta de alguém assim, quase como a si mesmo.

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Fração de felicidade

Uma vez lhe falaram que alguém só pode estar feliz, e não ser feliz, por se tratar de um estado de espírito como outro qualquer, como estar triste.

Naquela noite, naquela festa, ela estava triste. Não que a essência dela combinasse com aquilo, na verdade estava sedenta por dentro de um fio sequer de alegria. O frenesi em sua volta apenas fazia evidenciar que algo estava errado dentro dela. Queria trazer o positivismo que ela já conhecia para fora, mas que estava ausente no momento, e aquela luta a enfraquecia. Vai saber. Às vezes o mundo pode ser pesado demais.

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O encontro de dois alfas

O encontro de dois alfas.

Decididos a não passar a vida em vão. Eram do mundo. Eram de todo mundo, mas não eram de ninguém. Eram de si mesmos.

Era impossível ignorá-los. Ela, a alegria lhe vinha naturalmente. Fazia parecer que era fácil ser feliz.

Ele, a confiança de quem sempre conquista o que quer. Para ele, era simples viver.

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Pássaro

Ela era um pássaro livre. Nunca esteve presa em uma gaiola, não nascera em cativeiro. Era fruto da natureza bruta, a qual a treinou bem e fez quem ela era. Tinha o céu inteiro para si e no passado desbravava-o com leveza e sem pressa, apreciando os raios de sol. Mas, naquele tempo, havia algo diferente. Voava baixo e, notava-se, com muito esforço para permanecer no ar. Batia as asas em passo irregular, como se essas não suportassem o seu próprio peso. E talvez fosse isso. Voava com sobrecarga.

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Lar

Ele construiu ali o seu templo.

Não era uma casa com tijolos e telhado.

Mas era uma morada bem construída

Dentro do coração de outra pessoa.

Onde estivesse, não importava.

Se com ele carregava a sua casa.

Bens físicos? Desapegado.

Mas o seu verdadeiro lar era muito bem decorado.

Chegava com seus enfeites e o tomava cada vez mais para si.

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Jornada de um dia

Um dia, sem pedir permissão, sua vida passou diante de seus olhos.

Não bateu antes de entrar. Simplesmente arrombou a porta e passou, como um vulto denso. Que deixou rastros.

Ela captou 27 anos de si em segundos e os sentiu em seu estômago, em suas pernas, em sua boca, em seu tato e em seu peito. Em seguida, em sua garganta e em seus olhos.

Seu próprio corpo lhe contava ali a história de si mesma.

Ela se fragmentou em pedaços.

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A Despedida

O dia começa com peso. As horas se arrastam indesejadas. A terrível antecipação do que está por vir. O tempo é implacável. Uma mão trêmula alcança a outra. Um caminho torturante até o seu fim inadiável. Um olhar é evitado. Lágrimas são impedidas de cair. As mãos, unidas, começam a suar. Apertam-se com força, como se quisessem se tornar uma só, inutilmente. Um calafrio com o duro esforço de ignorar a inevitável realidade estremece o corpo. Um chamado se torna presente. E um momento em que o tempo congela abafa a respiração. Uma ciência avassaladora de que não há mais como revogar a dor.

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O Bobo da Côrte

Havia um reino que tinha um palhaço famoso por suas imitações teatrais e fanfarronas dos burgueses e figuras mais marcantes da realeza.

As críticas caricaturas pareciam agradar o gosto popular e seus espetáculos começaram a se tornar grandiosos no mesmo passo que sua arrogância.

Tinha um talento nato e inegável de se passar por quem ele quisesse com perfeição e até enganava de verdade os mais desavisados. Um dia, chamou a atenção do rei ao interpretar o seu papel, e como ele se tratava de uma figura aclamada pelo povo, o rei resolvera lhe dar uma colher de chá.

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A conversa franca

Chegou em casa e sentia um peso enorme no peito. Aquela sensação de que iria explodir. Rolou de um lado e do outro na cama por longos minutos. Não conseguindo adormecer, levantou-se de supetão e se sentou em sua penteadeira. Olhou-se no espelho: cabelos escovados, olhos escuros pesados e profundos. Observou seu próprio rosto por um tempo e se intrigou com algo que vira em seus olhos em um lampejo. Encarou-se um pouco mais atentamente. Logo percebeu que seus olhos queriam lhe dizer algo. Pareciam estar suplicando a sua atenção em uma mescla melancólica e agitada de tons negros e marrons.

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