À luz da lua, estava só ele e ela. Caminhavam pela estrada banhada pela cor prateada do luar, enquanto paravam por um segundo aqui e ali quando o assunto pedia olhos nos olhos e algumas risadas.

Ele estava encantado por ela. Seu sorriso havia o fisgado há muito tempo e agora já era tarde demais para retornar. Droga, pensava ele. Estou encrencado.

Ela falava de uma pedra e fazia parecer interessante.

Enquanto caminhavam, a mata em sua volta participava da conversa. Ouviam os sons dos grilos, pássaros noturnos com seus tímidos cantos e o farfalhar de folhas ao movimento de pequenos animais. A brisa estava fresca e notou que a pele dela arrepiava ao menor sinal de vento. Mas ela parecia submersa demais em seu assunto para se incomodar, que agora girava algo em torno de papéis de carta e porque ninguém se escrevia mais.

Ele colocou seus braços em volta dela e sentiu um ardor quente. Sentiu-se bobo pelo coração se descompassar momentaneamente. Será que ela percebia? Estaria ele sendo um tolo, claro e transparente?

Esse medo se esvaneceu quando ela repentinamente o jogou na relva rindo e lhe deu um beijo. O chão estava úmido devido ao sereno da noite, mas eles não se importaram.

Ele recebeu o beijo e o devolveu com outro. Deu-lhe, por fim, um beijo na testa e ela depositou sua cabeça em seu peito. O silêncio caiu entre eles. Os dois ficaram ali deitados fitando o céu sem uma palavra, apenas apontando aqui e ali com uma exclamação quando viam uma estrela cadente ou vagalumes a zanzar por aí. O céu não tinha nenhuma nuvem e estava pintado de um azul profundo com vários daqueles pontinhos brilhantes que só se via ali, longe da civilização.

A respiração dos dois estava profunda e calma, como se não houvesse nenhum outro lugar no mundo que gostariam de estar naquele momento.

Ele a sentiu aconchegando melhor a sua cabeça em seu peito e imediatamente uma paz incontrolável invadiu todo o seu corpo. Ele estava leve, quase flutuando, sem um pensamento passando por sua cabeça naquele instante. O sentimento era de que estava brilhando.

Seria aquilo um sonho?

Ele passou a mão em volta levemente, sentindo a grama fria entre seus dedos e pressionou o solo. Era real. Puxou-a mais para perto de seu corpo e a tomou em um laço. Observou mais um vagalume a dançar em sua frente. Fechou os olhos e desejou nunca mais sair daquele instante.