Ela era um pássaro livre. Nunca esteve presa em uma gaiola, não nascera em cativeiro. Era fruto da natureza bruta, a qual a treinou bem e fez quem ela era. Tinha o céu inteiro para si e no passado desbravava-o com leveza e sem pressa, apreciando os raios de sol. Mas, naquele tempo, havia algo diferente. Voava baixo e, notava-se, com muito esforço para permanecer no ar. Batia as asas em passo irregular, como se essas não suportassem o seu próprio peso. E talvez fosse isso. Voava com sobrecarga.

Queria alçar voo e sobrevoar as mais belas paisagens como sempre havia feito, mas algo a mantinha perto do solo, como se a puxasse para baixo. Estava carregando coisa demais.

Foi então que caiu em si. Quando se viu presa mesmo sendo livre, desesperou-se. Procurou atônita ao seu redor o que lhe causava esse efeito e só então percebeu que suas mãos estavam cerradas. Abriu-as. Sentiu algo cair e o peito ficando mais leve. Fechou os olhos e visualizou o céu infinito, sentindo-se cheia de ar por dentro.

Ela não se dava conta, mas não era um pássaro qualquer. Era uma águia. Dona do seu próprio destino, capaz de aniquilar o peso que carrega e transformá-lo em alimento.

Abriu as asas o máximo que conseguiu, sentiu a brisa a abraçar. Estufou o peito para o sol e na direção dos raios alçou voo. Foi-se a favor do vento até que se transformou em um ponto no céu, e nunca mais voltou a descer.

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