O dia começa com peso. As horas se arrastam indesejadas. A terrível antecipação do que está por vir. O tempo é implacável. Uma mão trêmula alcança a outra. Um caminho torturante até o seu fim inadiável. Um olhar é evitado. Lágrimas são impedidas de cair. As mãos, unidas, começam a suar. Apertam-se com força, como se quisessem se tornar uma só, inutilmente. Um calafrio com o duro esforço de ignorar a inevitável realidade estremece o corpo. Um chamado se torna presente. E um momento em que o tempo congela abafa a respiração. Uma ciência avassaladora de que não há mais como revogar a dor.

Um abraço insuficiente e a onda horripilante do Adeus na hora programada a quebrar no peito, nas pernas e em todo o corpo. A garganta queima, o choro preso em meio a um sorriso falso. Um beijo na testa e, em seguida, dois corações bombardeando separados. Um vazio gelado toma conta do peito, ao mesmo tempo que um formigamento quente começa a brotar na barriga. Acabou-se o tempo deles. E agora se inicia o tempo de uma nova jornada. As sensações anestésicas mais a ansiedade corroem todas as certezas, fazendo despontar apenas uma: Se dói, é porque valeu a pena. E se, assim mesmo, a dor é encarada, é porque deve ser feito. Sabe que entre cada escolha, há uma renúncia. Por fim, lágrimas caem com o peso do poder do livre arbítrio.

 

Anúncios