Essa é uma história sobre uma pessoa real, de identidade preservada. Talvez você possa até conhecê-la. Talvez ela até viva em seu meio, escondida no íntimo de muitos…

Felizmente, trata-se de um relato de sucesso.

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Acorda com dificuldade, dá uma checada no celular. Toma um rápido café da manhã (quando dá tempo) e checa o celular brevemente outra vez.

Sai para o trabalho e no caminho para o escritório, vez ou outra quando o trânsito está parado, dá uma conferida nas suas novas notificações.

No trabalho, a plataforma de comunicação interna com seu time fica o tempo todo ligada, e sua caixa de entrada está repleta de e-mails aguardando para serem respondidos. Passa bons minutos lendo e respondendo os mais urgentes e não demora muito para chegar novas mensagens por todos os meios. “Droga, me esqueci de fazer isso”. Fica a manhã toda fazendo por cima o que já deveria ter feito e situando-se sobre tudo que chega por e-mail até ele, que não necessariamente envolve sua expertise.

Depois do almoço, após uma reunião de uma hora que não define nada de nada, se dispõe a fazer o que efetivamente foi contratado para fazer. Senta na frente do computador e tenta recuperar em sua mente em que ponto havia parado. Alguém o chama no Slack Team. Responde. Volta-se para sua questão e lembra que já houve mudanças na estratégia, então raciocina que o ideal seria recomeçar do zero. Uma notificação de e-mail sobe na tela. Vai ver. Lê o e-mail e decide responder depois. Abre o documento novamente, puxa o raciocínio outra vez e dá início a um esboço com uma nova abordagem. Se ao menos essas pessoas parassem de conversar sobre fofocas…

Passa alguns longos minutos tentando sair do lugar, com o cérebro frustrado por não conseguir se concentrar. E quando enfim sente sua consciência tranquila o bastante de que ao menos fez um pouco de sua parte naquele momento, permite-se um descanso e pega o celular. Passa o olho por todas as 132 mensagens espalhadas por vários grupos no whatsapp, responde algumas. Vai atrás das 3 notificações no facebook ver o que é. Em seguida, seu ramal toca e fica até tarde tentando resolver um mal-entendido entre ele e outro departamento que acabou causando problemas. Por fim, o dia termina, e ele volta para casa se perguntando incrédulo como o tempo não rendeu nada por hoje.

Chega em casa cansado e troca conversas superficiais com sua companheira, ambos ouvindo-se parcialmente entre olhadelas para a tela do celular. Mais tarde, senta na frente da TV e coloca qualquer coisa para assistir com o celular na mão. Não satisfeito com a atividade, começa a distrair-se com o dispositivo. Passa casualmente por suas Fanpages favoritas para ver suas publicações do dia e dá uma olhada nas fotos do pessoal no Instagram. Abre aquele grupo silenciado com milhões de mensagens que esporadicamente visualiza. Fica ali absorto em meio a vídeos e imagens até que está tarde da noite e precisa dormir.

No outro dia, como a repetição do dia anterior, acorda com dificuldade mais uma vez, com aquela desmotivação que só a improdutividade consegue trazer.

Um dia, farto de não sentir-se útil, de nunca ter tempo e esgotado deste cotidiano raso e sem sentido, lendo uma frase de Viktor Franki, ele entendeu:

“O vazio existencial manifesta-se principalmente como um estado de tédio.”

Ele e todos em sua volta estão profundamente entediados, em meio a uma enraizada inércia! Desse modo, as mídias online, intrigas e reuniões sem sentido no trabalho se fazem essenciais, para preencher o vazio. Quem muito realiza não tem tempo para tais distrações. As prioridades são outras quando a pessoa está em movimento. Ele analisou a sua vida e soube na hora que Tim Ferriss estava certo… O oposto da felicidade é mesmo o tédio. Entusiasmo é o sinônimo mais prático para felicidade, e é precisamente isto que ele deveria esforçar-se para alcançar.

Para isso, precisaria quebrar o vazio e se colocar em movimento. Tornar-se um realizador. Mas como arranjaria tempo? Se ele mal conseguia fazer o que precisa em um dia… Refletiu sobre isso e tomou algumas atitudes simples e práticas, porém que para cumpri-las exigia-se tamanha determinação:

  • Saiu de todos os grupos do whatsapp, manteve todos os seus contatos silenciados e retirou a opção de visualização de conversa.
  • Excluiu seus perfis nas redes sociais.
  • Definiu regras no trabalho: dois horários no dia para responder todos os e-mails necessários; todos os e-mais que chegassem fora destas horas, ele não leria para responder apenas depois, simplesmente nem os abriria; todos os temas urgentes deveriam ser tratados pessoalmente ou por telefone. Garantiu-se 3 horas por dia para desenvolver ações de teor estratégico e de médio a longo prazo. Cortou reuniões que não fossem previamente planejadas e objetivas a um ponto.
  • Passou a ser mais seletivo quanto ao conteúdo que ingere e a organizar melhor as informações.
  • Substituiu o tédio por ócio criativo. Em vez de ficar na frente da TV e mexendo no celular o tempo todo, passou a dar-se um tempo para não fazer nada, descansando a mente ao mesmo tempo que a deixava fluir.
  • Saiu mais de casa.
  • E, por fim, adquiriu um hobbie.

E literalmente se pôs em movimento. Em um ano, realizou o que nunca havia conseguido em 5 anos no mesmo trabalho. Executou planos engavetados. Colocou em prática alguns conhecimentos acumulados e adormecidos. Passou a agir mais e a esquivar-se de tudo que fazia escorrer seus minutos e sugar o seu dia ralo abaixo. Porque, finalmente, havia entendido o quanto estava jogando fora o bem mais precioso que fora lhe dado: o seu tempo.

Ele se tornou aquela pessoa que nota-se ser satisfeita consigo mesma. Tornou-se sinônimo de mais e melhor. Aquele tipo de gente que se destaca pelo entusiasmo com a vida. O tipo que as pessoas sempre se questionam: “Como ele faz isso? Como ele tem tempo para tudo isso?”.

E a resposta dele para essa pergunta é sempre a mesma:

“O tempo é relativo. E assim como tudo na vida, ele também é feito de escolhas.

Saiba escolher”.

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E você, está sabendo escolher? 🙂

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