Fico daqui, observando de longe, vendo as movimentações das ondas de dores coletivas sendo expressas e chacoalhadas rapidamente como um redemoinho que passa e levanta o pó, para em breve se assentar novamente…
O mais dolorido é ver o vazio da dança desse pó… Notar como ele vai e vem, supérfluo, volátil, bases de areia… de essência efêmera. Pós que antes não eram ao menos visíveis, mas que configuram uma forma monstruosa ao ar… Por trás de tanta poeira, quem realmente se encontra lá?


Será que esse ser de luz claramente ofuscada por grossas camadas teria tanta necessidade de afronta, de saber quem está certo e quem está errado, de levantar o dedo, de bater o cajado?
Abstenha-se por um momento. Sinta para si a dor da humanidade, o que está nela, está em mim.

Peça perdão por eles. Tenha compaixão por ela. De que importa de qual forma foi para você? Há realidade mais triste que essa? Reflita. De que importa de qual forma foi para você? O mal está lá, o vazio existe… A dor é real.
Comece por você. Limpe suas poeiras. Cure em você o que está no próximo. O valor, o que vem de dentro, é eterno… O resto, é apenas pó.

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