Talvez ainda é cedo para falar sobre a cultura geral do país, afinal estou aqui há apenas um mês – como conhecer a cultura de um povo em um tempo tão limitado? Impossível.

Mas falarei de alguns pontos de minha percepção. Na primeira semana, já caiu por terra o primeiro pré-conceito que temos no Brasil de que argentinos não gostam de brasileiros. Claro, haverá alguns que não tiveram boas experiências com brasileiros ou são indiferentes, mas no geral eles são bastante simpatizantes de brasileiros e de nossa cultura.

Percebi que eles sabem muito mais sobre nós do que nós sobre eles. Na verdade, qualquer outro latino sabe mais sobre nós do que nós sobre eles. Nós não temos ciência do quanto o Brasil é referência para os nossos vizinhos e o quanto é admirado – inclusive, questões políticas à parte, nós deveríamos dar bem mais valor à tudo que temos. Fico até constrangida quando uruguaios, bolivianos e ecuatorianos (que foram a minha experiência) vêm falar comigo entusiasmados sobre meu país e eu não tenho nada de bom a dizer em troca sobre suas nações. E então percebi a visão limitada que nós temos a respeito da América Latina como um todo.

Limitada para ser politizada, porque na maioria das vezes nós verdadeiramente don’t give a shit. Nós nem sequer lembramos da existência dos nossos vizinhos, sejamos sinceros. Às vezes rola uma conversa de mochilão e pá, mas na maioria avassaladora das vezes, nossos parâmetros são invariavelmente estadunidenses e europeus. Nem sequer fazemos questão de falar espanhol, quantas vezes ouvi brasileiros no hostel cumprimentando outros latinos com um “Bom-dia!” bem acentuado. Gente! Porque não aprender pelo menos as frases básicas? É só mudar o sotaque, e está tudo certo. Pelo menos demonstrará que você se importa.

E aquela rixa que pensamos existir entre Arg x Bra se tece simplesmente porque eles admiram muitas coisas nossas, mas ao mesmo tempo têm muito orgulho de seus costumes. Então não venham aqui dizer que isso ou aquilo é melhor no Brasil! Eles já estão fartos de ser comparados inferiormente conosco em vários quesitos. Por isso a defesa ativa.

No entanto, há coisas por aqui que eles dão de goleada na gente, como por exemplo:

  • O bom convívio com tantos imigrantes e/ou pessoas de outros lugares do mundo que vivem aqui.
  • Respeito pela diversidade, orientação sexual, singularidade, entre outros. – talvez aqui eu abro uma exceção para o preconceito com afrodescendentes, que aqui é muito maior que no Brasil. Talvez devido ao fato que quase não se vê nenhum negro por aqui, portanto ainda reina a intolerância e ignorância.
  • O sistema de transporte funciona melhor, o metrô é bom e os ônibus são muito frequentes (talvez seja por isso que nunca vi um ponto aqui com banco). Geralmente os ônibus não lotam e ainda há ar-condicionado.
  • Se não quer andar de ônibus, você tropeça em táxis aqui. É só levantar a mão, que aparece 3 e pára na sua frente. Hehe
  • Eles também tem um site/aplicativo chamado BA Cómo llego, que vou te falar, facilita a vida! Você coloca de onde sairá e para onde pretende ir, e ele te diz até onde caminhar, qual ônibus pegar e aonde descer. Entre outras dicas. Amor eterno! ❤
  • Tem wifi aberta em quase todo canto de Buenos Aires, no metrô, no centro, no “centrinho” de Palermo, nos museus, bibliotecas, hospitais, bares, cafés, etc.
  • Buenos Aires é uma cidade riquíssima em atividades culturais e arte. Há muito incentivo, dezenas de museus e ainda muita gente que vem estudar música e artes. Também é uma cidade muito ativa em todos os sentidos, e sempre há algo a ver e fazer toda semana. À quem vier visitar a cidade, sugiro ficar sempre ligado nos sites: buenosaires.gob.ar, airesbuenosblog e bubblear.com.
  • Argentinos prezam muito por qualidade de vida, talvez mais que a gente. Mas também é devido a que a própria cidade permite isso, tendo inúmeros parques, algumas ciclovias e muito bem arborizada. Me parece que Buenos Aires tem outro ritmo das grandes cidades brasileiras, e para todo lado se vê gente em cafés, passeando com seu cachorro ou em uma praça tomando sol.

Outras curiosidades:

  • Para quem nunca ouviu falar, aqui homens se cumprimentam com beijo no rosto. E vejam, eles não são gays! Ohh :O
  • Eles são muito ligados à família e às amizades, tal quinem nóis.
  • Eles tem a tradição de bater palma para quem faz o churrasco. Muito incentivador!
  • Em falar em churrasco, se eu pudesse sugerir para deixar maaais um pouquinho assando e colocar sóó mais uma pitadinha de sal, eu sugeriria. emoji4
  • Ah sim, eles A-MAM cães aqui. Mas assim, AMAM MUITO. Parece que todo mundo tem um titiu, e eles andam com eles soltos e tudo mais. Quando entram em algum estabelecimento, o titiuzão fica esperando pacientemente do lado de fora. E olha, ninguém rouba cachorro de ninguém. eyes_droped
  • Na Argentina não se ouve reggaeton, se ouve CUMBIA. E NÃO SE FALA MAIS NISSO. ù.ú. – disse um argentino.
  • Porteños buzinam no trânsito por qualquer coisa. Eu disse qual-quer-coi-sa. Se cai uma folha de uma árvore na frente do carro, é motivo para 5 segundos de buzina. Folha fdp.
  • Chimarrão é uma cópia. AQUI É MATE, PORRA. – disse outro argentino.
  • Sim, aqui tem muitos caras e meninos de rabinho. Bem estiloso na verdade, cabeça raspada nos lados e o rabinho atrás. Digamos que é preciso estar bem seguro de si. #respectman
  • Percebi certa aversão a fazer a barba. Hehe
  • Eles bebem água da torneira. Ainda estou cismada com os micróbios.
  • No almoço, eles não costumam tomar refrigerante ou suco, somente água acompanhando a comida. E de acordo com o pessoal da empresa, eles costumam comer muita salada e não sentem falta de “carnes de churrasco” no almoço.
  • Argentinos e chilenos não se bicam. Aprendi na prática ao dizer que fiquei em dúvida em vir para cá ou para Santiago. Se por acaso dizer que prefere Santiago, é melhor fugir.
  • Brasileiros continuam sendo o povo mais higiênico que já conheci. Me sinto como uma “clean freak” nos lugares em que já passei, porque não coloco o pão em contato direto com a mesa suja (uso um prato), não pego pizza com a mão (uso um guardanapo), não deixo restos de comida nunca na pia e farelos na mesa e escovo os dentes depois do almoço. Argh, que menina fresca! É o que devem pensar. hehe

Mas o mais legal nessa coisa de cultura é o seguinte… não há certo nem errado. Tudo é uma questão de referência! 😉

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