Assim diz a enciclopédia mais famosa do mundo virtual, a wikipédia: “O capitalismo é um sistema econômico em que os meios de produção e distribuição são de propriedade privada e com fins lucrativos, onde esta distribuição não é feita pelo governo, e sim pelos e para os proprietários;”. Ele originou-se na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, e com o renascimento urbano e comercial surgiu na Europa uma nova classe social: a burguesia. Historiadores e economistas identificam nesta burguesia, e também nos cambistas e banqueiros, ideais embrionários do sistema capitalista, o lucro, o acúmulo de riquezas e o controle dos sistemas de produção e expansão dos negócios.

Acúmulo de riquezas; expansão dos negócios; sistemas de produção… Produção. É o que o sistema capitalista faz: produz. Sua produção nunca cessa, alimentando e saciando a demanda do consumo. Mas, até quando esse sistema se auto-sustentará?

Estima-se que a humanidade tenha cerca de 400 mil anos, e que o surgimento das primeiras civilizações no mundo tenha aproximadamente cinco mil anos (3.000 a.C.). Tudo funcionava à base da troca e relações comerciais de acordo com os interesses de cada grupo. Usavam da agricultura de subsistência, na qual somente produziam o que iriam consumir para a sua sobrevivência. A humanidade, que caminhou através deste sistema por milênios, viu-se passar pela transformação mais significativa de sua história, com o surgimento de uma nova era, a do proletariado mais dos donos da produção visadas no lucro.

Analisando o capitalismo desde o seu nascimento, podemos constatar que, em menos de dois séculos – em que ele já é plenamente efetivado –, já enfrentou duas grandes crises no seu funcionamento estrutural, principal delas a Quebra da Bolsa de Valores de 1929. Em menos de dois anos, o mundo sentiu as dores da adoção deste sistema dependente de grandes potências mais uma vez, quando a economia dos Estados Unidos depreciou-se. Estou falando aqui que apenas duas gerações já vivenciaram vários de seus erros evidentes.

A inflação é submetida a um freqüente controle. A cada dia, milhões e milhões de toneladas de lixo puramente não aproveitável e não biodegradável são descartados na atmosfera terrestre, e a cada ano os recursos naturais estão se esgotando, como as reservas de petróleo, carvão, gás natural, minerais sólidos, e – porque não? – água potável e terras para plantações e pecuária, lembrando que precisamos de florestas! Pesquisas alertam para um inevitável e próximo colapso no planeta, advindo de respostas da natureza e das conseqüências do uso exarcebado e irresponsável de seus recursos. Será o capitalismo um sistema fadado a ter um fim? Qualquer pessoa pouco estudada, que preste o mínimo de atenção para o caminho que estamos tomando, verá que o capitalismo é auto-destrutivo.

Nos vemos nos anos da “escravidão moderna”, em que os humanos se tornaram dependentes da sua própria criação. Igualmente o proletariado, durante a revolução industrial, era refém do ritmo das máquinas, hoje somos da tecnologia, que nos anos 80 visionada como “a libertação” do homem para trabalhar menos, hoje faz exatamente o oposto. As novas inovações e os constantes lançamentos somente prendem as pessoas a trabalharem mais para consegui-los. É um ciclo, que nos força sempre a consumir de imediato e logo descartar para comprar algo mais. Isso – viver para trabalhar e trabalhar para consumir – traz desastrosas conseqüências para a saúde mental humana, em que nossas limitações impõem suas necessidades. O capitalismo vive e se nutre de curar os problemas e estragos que ele mesmo produz. Tudo é engolido e absorvido para ser posto ao consumo. Inclusive o “jeito verde de se viver”. Tudo é adaptado, de acordo com os que realmente tem poder no “governo” do mundo, que são as multibilionárias companhias de consumo.

É preciso encarar o fato que vivemos em um meio em que tudo é produzido e consumido exageradamente, e que o sentido é somente rodar a economia, desse mesmo modo. Mas esquece-se que tudo chega ao seu fim, e que se não há busca de novas alternativas, enfrentaremos crises futuras pelo preço de sermos somente mais uma peça da roda, em que nascemos para consumir, crescemos para sermos absorvidos pela necessidade de consumo, e trabalhamos para sustentar o ciclo, produzindo e consumindo ao mesmo tempo.

Como diz John Zerzan: “As pessoas, por 2 milhões de anos não destruíam o mundo natural. Eles não tinham guerras. Tinham tempo livre e tudo mais. Isso é primitivismo de uma certa maneira. E para mim isso é bastante inspirador.” “Nesse novo mundo, as pessoas poderiam ter de volta sua própria cultura. Nós teríamos um novo conjunto de valores. Uma mudança de paradigmas. Uma grande transformação no pensamento global. Onde as pessoas de repente diriam: ‘Eu não quero o carro da moda’, ou ‘Eu não quero mais um Big Mac’.” Mas isto só ocorrerá com a morte iminente e inevitável do sistema que não se auto-sustenta e muito menos se importa, o capitalismo.

Luciana Lima

Texto produzido baseado no documentário Surplus.

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