Nas esquinas, aglomerados de pessoas sorridentes te esperam e lhe entregam panfletos, bandeiras são esvoaçadas, carreatas passam parando o trânsito e… jingles por todos os lados. Alguém mais despercebido pode se perguntar “O circo chegou à cidade?” Mas não. Não é o circo. É época de eleição. Mesmo que nesses tempos modernos a linha que difere um termo do outro tenha se restringido bastante. Cada vez mais convenho com meus botões que Francisco Everaldo Oliveira Silva (mais conhecido como Tiririca), juntamente com o “Dedé” (dos já sepultados “Os Trapalhões”), Batoré, Pedro Manso e Ronaldo Esper não estão assim tão deslocados na posição de candidatos que exercem no momento.

Deputado federal, estadual, humorista, estilista, palhaço de televisão. Agora é tudo a mesma coisa. Diretamente da era dos cursos técnicos à distância, das cotas para grupos minoritários e da inclusão digital, agora a inclusão está de braços abertos para abraçar a você, que sempre teve o sonho desde criança de ser deputado federal, estadual, senador e etc. Não importa se você já foi famoso ou se é um Zé Ninguém, hoje você pode! Porque nada nos surpreende mais, nada é mais sério. Na verdade, muita gente leva o horário eleitoral como um programa humorístico bastante eficaz. Você vai rir, sim, de alguma coisa ou de outra! Outro dia me peguei dando gargalhadas comigo mesma depois de tentar entender o que o Maguila dizia – o que me fez entender totalmente o porquê das legendas. No round com ele está Acelino Popó Freitas, concorrendo a deputado estadual. Vampeta e Romário, depois de perderem muitos de seus bens com infelizes relacionamentos (mesmo que de uma noite só), tentam agora recuperar de uma maneira fácil seus patrimônios. Dois ex-jogadores de sucesso a procura de uma boa (melhor) aposentadoria contrastam com artistas que, após tentativa de fama pela música, fracassaram e agora tentam ser deputados. É o caso de Kiko e Leandro do KLB (quem?), Netinho e Tati Quebra-Barraco. Sim, esta mesma! E quando você pensa que já é o fim, diretamente do pomar temos “Mulher Melão” e “Mulher Pêra”, para preencher a câmara dos deputados. Se não com cérebro, que seja de bunda.

Para os brasileiros que não engolem qualquer coisa, o horário eleitoral está quase como aquele momento de reunir a família e curtir juntos boas risadas proporcionadas por quem não tem o menor senso do ridículo. Quando não tem um que exagera na dose e que você, ao invés de rir, quer morrer por vergonha-alheia do cidadão.

Mas não há nada – nada mesmo – que se compare com as insuportavelmente-irritantes musiquinhas de campanha. Os jingles entram na sua cabeça de tal forma que, ao final do dia, você está até pensando em votar no tal candidato pela insistência. Já me perguntei algumas vezes como seria se, no lugar desses cantos, os candidatos realmente expusessem as suas propostas. Mas não, aí não seria a política do Brasil. Essa por estas bandas está demasiadamente vulgarizada, suja, “circosisada”. É um espetáculo, em que palhaços são bem vindos, marionetes são postas a dançar e a platéia bate palmas, enquanto mágicos ficam no encargo de fazer desaparecer e surgir notas de lugares nenhuns. Por que, por este espetáculo, nós não deveríamos pagar para assistir.

Luciana Lima

Anúncios