Podem ser considerados os nossos políticos realmente como “gente do povo”? Talvez devesse ser exatamente assim na prática, quem nós elegemos deveria ser necessariamente a representação daquilo que defende, e isto deveria ser o povo.

Em um jornal online se encontrava estampada a seguinte notícia: “Baixinho enfrenta metrô superlotado”, dando alusão a que Romário, ex-jogador de futebol e candidato a deputado federal pelo PSB, em busca de votos, andou de metrô pela primeira vez na vida e se surpreendeu com a superlotação.

O candidato percorreu, no dia anterior, a distância da localidade de Carioca à Pavuna, Rio de Janeiro, fazendo corpo a corpo com os passageiros durante 48 minutos. Mas o Peixe, como o craque é conhecido, acostumado com o conforto de carrões de luxo, parecia mais uma sardinha enlatada. Aproveitou para distribuir santinhos para os agentes, em troca de cortesia e poses para fotos.

Na ocasião, chegou a comentar que o local realmente estava muito cheio, e que não imaginava que ficasse tão apertado. Mas logo um passageiro, com cerca dos seus cinquenta anos, não demorou para disparar: “Está achando apertado? Você ainda deu sorte, você não sabe como é em dias mais lotados e em que o ar-condicionado não funciona”. E é verdade. O Romário não sabe. Ele nunca saberia que há dias insuportavelmente mais apertados e que não há ventilação. Ele nunca usou o metrô antes, ou qualquer outro transporte coletivo, não que ele se lembre.

A questão é, como alguém pode representar o que a massa deseja e necessita e, acima de tudo, entender a sua importância, se não vivencia os mesmos problemas? Talvez devessem mesmo os políticos ser povo da gente, ser gente do povo. Obrigatoriamente, como uma condição para se eleger. Ou então, a população ter a capacidade de votar lucidamente no candidato que tem a maior probabilidade de defender os seus interesses. Mas, infelizmente, esta consciência lógica é massacrada por falsas promessas e boa eloqüência maquiada, como em um lance de “quem dá mais”. Os eleitores ficam à espreita, sem opinião realmente formada, até o próximo candidato fazer a melhor oferta e, sem pensar mais profundamente a respeito, deixa-se conquistar o voto pela palavra, à espera da fatídica recompensa. Que muito provavelmente nunca virá.

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