Há muito o que se falar sobre o tema “tabagismo”. Quando se coloca essa palavra no site de procuras google, aparecem inúmeras significações. O tabagismo é a principal causa dos cânceres de pulmão e contribui para a aparição de cânceres da hipofaringe. Existe ainda uma relação entre o tabaco e os cânceres da bexiga, já que as substâncias cancerígenas contidas no fumo são eliminadas pela urina. A freqüência das doenças arteriais (coronarites, arterites dos membros inferiores) é duas vezes maior nos fumantes do que nos não fumantes.
Sendo assim, porque uma pessoa escolhe ser fumante?
Por várias razões pessoais, diriam eles. Mas estudos comprovam que o número de filhos fumantes cujos pais também têm esse hábito é muito maior do que os filhos de pais não fumantes. Então talvez a causa maior seja do exemplo que tenham dentro de casa.
Felizmente ou infelizmente dependendo de sua perspectiva de ver as coisas, o consumo do tabaco está diminuindo gradativamente e irreversivelmente. Mas não foram os pais que pararam de fumar bruscamente. Há coisas muito maiores que ajudaram nessa queda: o enfraquecimento de uma cultura colocando no lugar novos valores de uma consciência coletiva.
Há menos de duas décadas atrás, os comerciais e merchandisings a base de cigarros eram totalmente legais, e passavam na televisão como se o cigarro fosse um artefato de sedução, e ainda o fazia parecer uma pessoa mais fina pelo simples fato de ter um desses em mãos. Ter uma marca favorita era como se fizesse parte de sua personalidade, enraigada com os artistas garotos(as)-propagandas.
Mas isso mudou e hoje o que se vê na televisão e na mídia em geral é uma propaganda totalmente adversa a essas usadas nas décadas passadas. A idéia é anti o fumo sob toda as coisas, inclusive sob todas as formas diversas de se pensar.
Os mass media fizeram tão bem o papel de mudar essa consciência da população e colocar o fumo como se fosse uma coisa ruim que a idéia de querer fumar parece ser tão absurda que a sociedade não pode simplesmente aceitar que esta pessoa deseja sim fumar um cigarro. E é nesse paradigma que se encontram os fumantes de hoje, encurralados em meio ao senso comum, em que muitas vezes preferem não tocar neste assunto e nem ao menos defenderem o uso que fazem para somente evitar que se trave uma discussão em torno disso em que ele é o único do mesmo ponto de vista. Como diriam os teóricos sobre o fenômeno da espiral do silêncio, é o medo do isolamento social, por serem minoria, que os calam e os deixam cada vez mais às margens da sociedade, com uma simples rodinha de amigos que não gostam de cigarro ou mesmo uma lei que obrigue que você fume longe dali. É um processo contínuo, e como no caso do tabagismo, que só irá ter mais e mais adeptos, pois o consumo do cigarro só tende a diminuir juntamente com a consciência contra ele que só se fortalece.
É nessa perspectiva que o filme “Obrigado por fumar” trabalha inteligentemente. Enquanto todas as pessoas em volta acham que o que o protagonista do filme faz é totalmente repugnante e sujo – incentivar a venda de cigarros e supostamente matar milhões de pessoas por ano -, ele simplesmente diz que tudo e todos têm o seu direito de escolha e merecem ser defendidos justamente. Não haveria uma “espiral do silêncio” se houvessem mais deste protagonista por aí, por exemplo, pois o que está em jogo no final não é a moralidade da questão, mas a habilidade dos argumentadores. Se você sabe argumentar, você nunca estará errado.
Por fim, é o que o relações públicas faz.
Claro que menos antiético e com um pouco mais de credibilidade.

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