Busca

Pensar Para Variar

Como se encontrar – Cap. I: Perder-se

“Saiu de sua casa e bateu a porta sem olhar para trás. Deixou suas coisas, sua agenda e suas certezas. Saindo de sua própria vida, ele deixou para trás sua identidade, matando-se ali e ressurgindo-se, mais tarde, como o ser, que é.”

Essa é uma breve história que acontece diariamente pelo mundo. Um suicídio de identidades cometido pelos mais corajosos e por aqueles que sentem-se sufocados pelo espaço que elas tomaram em detrimento ao seu ser essencial.

Continuar lendo “Como se encontrar – Cap. I: Perder-se”

Anúncios

Pássaro

Ela era um pássaro livre. Nunca esteve presa em uma gaiola, não nascera em cativeiro. Era fruto da natureza bruta, a qual a treinou bem e fez quem ela era. Tinha o céu inteiro para si e no passado desbravava-o com leveza e sem pressa, apreciando os raios de sol. Mas, naquele tempo, havia algo diferente. Voava baixo e, notava-se, com muito esforço para permanecer no ar. Batia as asas em passo irregular, como se essas não suportassem o seu próprio peso. E talvez fosse isso. Voava com sobrecarga.

Continuar lendo “Pássaro”

Carta aos meus erros

Dallas, 16 de outubro de 2017

Queridos erros e eventos desfavoráveis que me aconteceram no passado,

Gostaria de direcionar-lhes algumas palavras hoje. Vim em missão de paz. Ofereceria-lhes uma xícara de chá, mas, sendo bem franca, não gostaria que permanecessem mais do que o tempo devido. Certamente não cultivo nenhum afeto por vocês, mas devo-lhes meu respeito e admiração.

Hoje eu vim para redimir tamanha incompreensão com que eu os recebi, cada um em seu tempo.

Continuar lendo “Carta aos meus erros”

Lar

Ele construiu ali o seu templo.

Não era uma casa com tijolos e telhado.

Mas era uma morada bem construída

Dentro do coração de outra pessoa.

Onde estivesse, não importava.

Se com ele carregava a sua casa.

Bens físicos? Desapegado.

Mas o seu verdadeiro lar era muito bem decorado.

Chegava com seus enfeites e o tomava cada vez mais para si.

Continuar lendo “Lar”

Jornada de um dia

Um dia, sem pedir permissão, sua vida passou diante de seus olhos.

Não bateu antes de entrar. Simplesmente arrombou a porta e passou, como um vulto denso. Que deixou rastros.

Ela captou 27 anos de si em segundos e os sentiu em seu estômago, em suas pernas, em sua boca, em seu tato e em seu peito. Em seguida, em sua garganta e em seus olhos.

Seu próprio corpo lhe contava ali a história de si mesma.

Ela se fragmentou em pedaços.

Continuar lendo “Jornada de um dia”

Dallas: novo país, novas sinapses e yes, we can!

Estou com um pequeno déjà vu nesse momento com algumas sensações já conhecidas antes a brotar em meu peito no ato de escrever em terras diferentes. A diferença é que, nas últimas vezes, me demorei uma semana para conseguir recorrer ao “papel”, enquanto que aqui já fazem três.

Apesar de mais distante (que Buenos Aires), aqui me sinto em casa. Talvez seja por isso a menor urgência de compartilhar tudo a todo momento, mas também devido à minha própria decisão de me deixar vivenciar muito mais e absorver esse mundo novo como um processo meramente pessoal, de mim para mim.

Continuar lendo “Dallas: novo país, novas sinapses e yes, we can!”

A Despedida

O dia começa com peso. As horas se arrastam indesejadas. A terrível antecipação do que está por vir. O tempo é implacável. Uma mão trêmula alcança a outra. Um caminho torturante até o seu fim inadiável. Um olhar é evitado. Lágrimas são impedidas de cair. As mãos, unidas, começam a suar. Apertam-se com força, como se quisessem se tornar uma só, inutilmente. Um calafrio com o duro esforço de ignorar a inevitável realidade estremece o corpo. Um chamado se torna presente. E um momento em que o tempo congela abafa a respiração. Uma ciência avassaladora de que não há mais como revogar a dor.

Continuar lendo “A Despedida”

Ignorável Alucinação

Talvez você tenha sentido
Uma tensão no ar toda vez que seus olhos se cruzavam
Uma ansiedade estranha em estar ao seu lado
Um descompasso desconcertante na respiração

Talvez tenha notado
Esses efeitos diferentes que desencadeavam
Em seu corpo com a mínima aproximação

Talvez tenha querido
Colocar essa pessoa sob seus braços e sua proteção
Tomá-la para si de bom grado
E mostrar como faziam a perfeita combinação

Continuar lendo “Ignorável Alucinação”

Brainstorming em um dia de chuva

Ela estava cansada.

Cansada das aparências. Cansada daquele mundo superficial.

Como se as pessoas não passassem de bonecos de plástico de um jogo de faz-de-conta.

Nesse jogo, só se ouve monólogos.

Ela esgotou-se ao doar-se a um nível e em uma qualidade que já não se via mais.

Acostumada a sempre ouvir majoritariamente, estranhou quando se pegou falando de si daquela forma.

Continuar lendo “Brainstorming em um dia de chuva”

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

Acima ↑