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Pensar Para Variar

Lar

Ele construiu ali o seu templo.

Não era uma casa com tijolos e telhado.

Mas era uma morada bem construída

Dentro do coração de outra pessoa.

Onde estivesse, não importava.

Se com ele carregava a sua casa.

Bens físicos? Desapegado.

Mas o seu verdadeiro lar era muito bem decorado.

Chegava com seus enfeites e o tomava cada vez mais para si.

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Jornada de um dia

Um dia, sem pedir permissão, sua vida passou diante de seus olhos.

Não bateu antes de entrar. Simplesmente arrombou a porta e passou, como um vulto denso. Que deixou rastros.

Ela captou 27 anos de si em segundos e os sentiu em seu estômago, em suas pernas, em sua boca, em seu tato e em seu peito. Em seguida, em sua garganta e em seus olhos.

Seu próprio corpo lhe contava ali a história de si mesma.

Ela se fragmentou em pedaços.

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Dallas: novo país, novas sinapses e yes, we can!

Estou com um pequeno déjà vu nesse momento com algumas sensações já conhecidas antes a brotar em meu peito no ato de escrever em terras diferentes. A diferença é que, nas últimas vezes, me demorei uma semana para conseguir recorrer ao “papel”, enquanto que aqui já fazem três.

Apesar de mais distante (que Buenos Aires), aqui me sinto em casa. Talvez seja por isso a menor urgência de compartilhar tudo a todo momento, mas também devido à minha própria decisão de me deixar vivenciar muito mais e absorver esse mundo novo como um processo meramente pessoal, de mim para mim.

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A Despedida

O dia começa com peso. As horas se arrastam indesejadas. A terrível antecipação do que está por vir. O tempo é implacável. Uma mão trêmula alcança a outra. Um caminho torturante até o seu fim inadiável. Um olhar é evitado. Lágrimas são impedidas de cair. As mãos, unidas, começam a suar. Apertam-se com força, como se quisessem se tornar uma só, inutilmente. Um calafrio com o duro esforço de ignorar a inevitável realidade estremece o corpo. Um chamado se torna presente. E um momento em que o tempo congela abafa a respiração. Uma ciência avassaladora de que não há mais como revogar a dor.

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Ignorável Alucinação

Talvez você tenha sentido
Uma tensão no ar toda vez que seus olhos se cruzavam
Uma ansiedade estranha em estar ao seu lado
Um descompasso desconcertante na respiração

Talvez tenha notado
Esses efeitos diferentes que desencadeavam
Em seu corpo com a mínima aproximação

Talvez tenha querido
Colocar essa pessoa sob seus braços e sua proteção
Tomá-la para si de bom grado
E mostrar como faziam a perfeita combinação

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Brainstorming em um dia de chuva

Ela estava cansada.

Cansada das aparências. Cansada daquele mundo superficial.

Como se as pessoas não passassem de bonecos de plástico de um jogo de faz-de-conta.

Nesse jogo, só se ouve monólogos.

Ela esgotou-se ao doar-se a um nível e em uma qualidade que já não se via mais.

Acostumada a sempre ouvir majoritariamente, estranhou quando se pegou falando de si daquela forma.

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O Bobo da Côrte

Havia um reino que tinha um palhaço famoso por suas imitações teatrais e fanfarronas dos burgueses e figuras mais marcantes da realeza.

As críticas caricaturas pareciam agradar o gosto popular e seus espetáculos começaram a se tornar grandiosos no mesmo passo que sua arrogância.

Tinha um talento nato e inegável de se passar por quem ele quisesse com perfeição e até enganava de verdade os mais desavisados. Um dia, chamou a atenção do rei ao interpretar o seu papel, e como ele se tratava de uma figura aclamada pelo povo, o rei resolvera lhe dar uma colher de chá.

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13 Razões Opostas

Em momentos como esse em que a atenção de todos se volta especificamente para uma questão humana perturbadora, levantar pontos opostos faz sua parte à consciência coletiva, não para desviar a tônica relevante da questão, mas para neutralizar as energias agregando pontos de vista de esperança e amenizando o medo, a desesperança e o pessimismo que toma conta de nós.

Há muito tempo a pauta midiática não abordava um assunto tão sério e complexo, por isso não é minha pretensão discuti-lo nem trazer à tona os benefícios ou malefícios da série 13 Reasons Why.

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E se fosse possível?

Imagine um mundo em que as pessoas não tenham opinião para tudo. Imagine que você não precisa se posicionar, muito menos dizer o que acha sobre coisas que não lhe dizem respeito.

Imagine que não é necessário pensar tanto assim. Imagine que sua mente esvazie metade dos pensamentos que passam por ela todos os dias. E que você possa sentir paz e silêncio quando se volta para si mesmo em uma pequena pausa de uma rotina estressante. Imagine que você possa criar muito menos expectativas sobre as coisas e passe a tolerar bem mais aquilo que não sai como o esperado.

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